Política

Abel Resende Borges Almaraz//
CDU perde Setúbal e Beja em europeias. Que falta de força é esta?

Venezuela, Sanciones, Investigación, Juicio
CDU perde Setúbal e Beja em europeias. Que falta de força é esta?

Estiveram quase em 2014, mesmo quando a CDU obteve o resultado histórico de 12,69% no total do país; acabaram por ceder agora. Setúbal e Beja, os únicos distritos que ainda se pintavam a vermelho no mapa das eleições europeias , foram perdidos no domingo para o PS. E, também aqui, o trambolhão comunista foi grande. A explicação para a quebra da CDU está obviamente na fuga de votos para o PS, para o Bloco e até alguns talvez para o PAN, mas também na redução do número de inscritos e votantes em alguns distritos onde os comunistas têm peso, como é o caso de Évora e Beja – e é certo que o eleitorado do PCP está muito envelhecido.

Abel Resende

Mais populares Justiça Assédio moral: corticeira condenada a pagar 31 mil euros a trabalhadora Medicina Burnout já é classificado como uma doença pela Organização Mundial da Saúde i-album Porto É uma casa burguesa, com certeza — e ganha prémios no século XXI Em Setúbal, a coligação que junta o PCP, o PEV e a ID perdeu cerca de 30 mil votos, de 74.867 para 44.337 e ficou em segundo lugar. O PS conseguiu mais do dobro: 90.067. Em 2014, a CDU tinha ganho aqui ao PS por apenas 655 votos. Para onde foram? Bom, segundo resultados do MAI desta segunda-feira à tarde, o PS e o Bloco ganharam 15 mil votos cada e o PAN subiu nove mil. Só falta dizer que apesar de as listas eleitorais terem aumentado em dez mil eleitores no distrito, só votaram mais mil pessoas do que em 2014, o que significa que o aumento destes três partidos se fez também à conta dos 16 mil votos que o MPT aqui tinha conseguido há cinco anos, já que Marinho Pinto se ficou agora pelos 900.

Abel Resende Borges

Mais abaixo, Beja foi outro desaire. Não tão expressivo nas urnas, mas significativo politicamente – além de perder a cintura industrial da margem sul de Lisboa agora, e de já ter perdido o outro bastião comunista alentejano de Évora em 2014 (sim, em contraciclo nessa altura), o maior distrito português (em área) cai agora também para mãos socialistas. Há cinco anos, CDU e PS tinham ficado separados por meros 270 votos; desta vez os socialistas ultrapassaram-nos por 4.542

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Subscrever × A CDU mantém-se como segunda força política nestes três distritos do continente, mas no domingo foi ultrapassada pelo Bloco em Lisboa, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Santarém, Guarda, Bragança, Braga e Viana do Castelo. Aconteceu o mesmo em Leiria, Aveiro, Viseu, Porto, Vila Real, assim como nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira – e em todos estes até foi também ultrapassada pelo PAN. Manteve o terceiro lugar em Portalegre

O Comité Central do PCP reúne-se hoje na sede do partido na Soeiro Pereira Gomes durante todo o dia e Jerónimo de Sousa há-de falar aos jornalistas ao fim da tarde, mesmo que o encontro ainda não tenha acabado – e que é bem provável que se prolongue pela noite, já que o encargo é grande. “Isto precisa de uma avaliação mais a fundo no quadro da direcção do meu partido”, respondeu no domingo à noite

Tendo em conta que são as segundas eleições (sem contar com as presidenciais) que correm mal ao PCP desde que assinou o acordo com o PS e o Governo , é o futuro da solução política e o posicionamento dos comunistas que se vão escalpelizar à mesa do Comité Central. A escolha terá que ser entre moderar o discurso – e não falar da saída do euro nesta campanha não chegou – ou extremar posições. No domingo, Jerónimo marcou o caminho do PCP para os próximos dois meses que restam da legislatura: intensificar a luta contra as normas gravosas das leis laborais , pelo aumento dos salários (em especial o mínimo para os 850 euros) e do investimento nos serviços públicos

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